Diário de um Analisando em Paris, Claudio Pfeil

diarioMeu interesse pelo “Diário” começou com a leitura de pequenos fragmentos sedutores doados pelo autor-personagem em suas redes sociais. Claudio Pfeil, que é doutor em Filosofia pela Sorbonne e mestre em Psicanálise pela Université de Paris 8, compartilha de maneira cativante em seu livro em forma de diário sua rotina entre as atividades de mestrado na universidade e suas intimidades declaradas dentro do consultório de sua analista “bem lacaniana.”

A identificação foi inevitável, pois, além de ser psicóloga clínica, encontro-me no início da formação psicanalítica e análise lacanianas. Quando se dava o encerramento de uma sessão dele, concomitantemente, concluía minha leitura naquele ponto enigmático do corte. Assim como Claudio, precisava de um tempo para me dar a tentativa de elaboração. Entre um pedal e outro, tudo ao seu redor parecia ser questionável e analisável, efeito anunciado de seu ingressar à experiência analítica. A cada sessão uma nova reflexão, e neste embalo e embaraço do seu elaborar foi impossível não me deixar levar por sua vivência tão intensa e provocativa.

Com sua escrita direta e bem humorada, Claudio Pfeil consegue desmistificar o conceito didático de uma análise com ricos relatos de experiências escancaradamente vivas, incitando a curiosidade e a possibilidade de também desvendarmos nossos dramas pessoais.

Estamos vivendo uma temporada imediatista, em que indivíduos estão buscando cada vez mais a terceirização e a medicalização de seus sofrimentos. Se aventurar pelos caminhos do labirinto que é o enigma do desejo não é missão muito fácil, envolve comprometimento, responsabilidade e principalmente em implicar-se com sua própria existência. É o desejo de um despertar para as subjetividades que envolvem efetivamente o ingressar em uma análise: “A psicanálise não é uma prática de relaxamento, adormecimento, harmonização: é uma prática de despertar. A gente deita no divã para não dormir na vida.” (pág. 126)

Prontamente, recomendo a leitura do “Diário” aos meus colegas de profissão, estudantes de psicologia e psicanálise, e aos curiosos dispostos a embarcar numa maravilhosa aven (lei) tura.

2 opiniões sobre “Diário de um Analisando em Paris, Claudio Pfeil

  • 18 de março de 2015 em 0:14
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    Esse livro é uma homenagem eterna ao amor à vida e ao amor pleno em toda a sua amplitude!

  • 18 de março de 2015 em 0:56
    Permalink

    Amor-diário!!

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